Diagnóstico
Como funciona a avaliação psicológica para TEA passo a passo
Da anamnese aos protocolos padronizados: entenda o que acontece em cada etapa e por que o processo leva mais de uma sessão.
8 min de leitura · Por Fernanda Mendes, psicóloga infantil
A avaliação psicológica para Transtorno do Espectro Autista não é um teste único nem uma consulta de trinta minutos. É um processo investigativo que reúne história de vida, observação clínica, instrumentos padronizados e informações de diferentes contextos.
Etapa 1 — Entrevista de anamnese com os cuidadores
A primeira sessão acontece só com os pais ou responsáveis. Investigamos gestação, parto, marcos do desenvolvimento, histórico familiar, rotina de sono e alimentação, comportamento social e as principais queixas. Essa é a base sobre a qual todo o restante é lido.
Etapa 2 — Sessões de observação lúdica
A criança é observada brincando livremente e em situações estruturadas propostas pela psicóloga. Avaliamos atenção compartilhada, reciprocidade social, uso funcional de brinquedos, comunicação verbal e não verbal, flexibilidade e respostas sensoriais.
Etapa 3 — Aplicação de instrumentos padronizados
- Protocolos específicos de rastreio e apoio diagnóstico para TEA.
- Escalas de comportamento respondidas por pais e professores.
- Avaliação cognitiva e de linguagem quando indicada.
- Instrumentos de funções executivas e atenção para diferenciar de TDAH.
Todos os testes utilizados são aprovados pelo SATEPSI, o sistema de avaliação de testes psicológicos do Conselho Federal de Psicologia.
Etapa 4 — Informações da escola e da equipe
Com autorização da família, entramos em contato com a escola e com outros profissionais que acompanham a criança (fonoaudiologia, terapia ocupacional, pediatria). O comportamento em ambientes diferentes é parte do critério diagnóstico.
Etapa 5 — Devolutiva e laudo
A devolutiva é uma sessão dedicada a explicar, em linguagem acessível, o que foi encontrado. Em seguida entrego o laudo escrito, com hipótese diagnóstica, perfil de habilidades e dificuldades, recomendações terapêuticas e orientações para adaptação escolar.
O processo costuma levar de 6 a 10 sessões. Esse tempo não é burocracia: é o que garante um diagnóstico responsável, que sirva de bússola para a criança e não de rótulo.
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